Quando crianças viviamos nas ruas do bairro Funcionários, em Belo Horizonte, pulando de casa em casa sempre ansiosos por alguma comemoração, feriado, férias, passeios...
Aniversário era o máximo, mas eu sempre me frustrava porque o meu era na véspera do ano novo, depois do natal, quando meus amigos já tinham viajado e quem ficava só queria saber de fazer planos idealizados para o futuro. Poucas foram as vezes que o meu aniversário mereceu uma festa e, talvez por isto eu me lembre de todos os presentes que ganhei, mas isto não vem ao caso agora.
Um aniversário que era ansiosamente aguardado por nós era do Corpo de Bombeiros no mês de junho. A festa durava o dia inteiro e tudo era liberado, inclusive a cerveja.
Custei a gostar da bebida.
Outro era do Toninho, que morava na Rua Inconfidentes. Sua mãe, D. Carminha, e seu pai, "seu" Proietti, preparavam uma grande mesa de salgados e doces sob a cobertura ao lado de seu jardim e, em torno dela aguardávamos a ordem para "atacar". Era só apagar as luzes para cantar o Parabéns, que as nossas ágeis mãos corriam em direção ao pedaço de nossa preferência previamente escolhido. Seu Proietti, muito esperto, acendia as luzes antes "dos muitos anos de vida"e, pegando todos nós com as mãos na botija gritava:
Pausa para meditação!
E lá vinha lição de moral: é preciso saber esperar e não sair engolindo tudo de qualquer jeito sem sentir o gosto...
Gosto pela vida. Entendi isto só muito tempo depois.
Os ares daquele tempo eu reencontrei em São Bartolomeu, onde as pessoas fazem planos e esperam o futuro chegar, sem pressa, como fazíamos nós naquela época em que a palavra não fazia parte de nosso vocabulário como há muito já faz. São eles, como parecia que éramos nós, membros de uma só família dono de um enorme tesouro e futuro promissor.
Os ares daquele tempo eu reencontrei em janeiro deste ano sob as águas da Cachoeira do Tempo Perdido e dela me lembro agora, próximo de finalizar este Faltam --0-- dias para o amanhã. Assistindo ao vídeo, sinto o frescor das suas águas e da minha juventude neste dia extremamente quente de outubro e sugiro a todos que aqui chegaram, que façam uma pausa para meditação: Respirem fundo, relaxem e sintam o gosto da vida que corre no sangue de suas veias como corre nas águas da Cachoeira do Tempo Perdido.
Perca o seu tempo. Você merece.
Depois ataque!
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