sexta-feira, 31 de julho de 2009

Tempo ruim, caminho bonito...

O tempo pode até estar ruim, mas o caminho é maravilhoso!




Achei esta foto a cara de Capivari! Calma! Não se espantem! Eu explico...

Tirei esta foto no retorno de Capivari a Belo Horizonte. Uma jornada digna dos mais aventureiros, vide a massa cinza que ameaçava engolir nosso pequeno ônibus sem o menor esforço.

Virgílio, Morgana, Jefferson e Letícia estavam passando mal, para começo de conversa. O restante de nós estava no mínimo cansado, depois da maratona que foi a nossa visita à Capivari. A estrada de terra, bastante acidentada, não estava sendo muito generosa na contenção de solavancos e unida a essa humilde chuva que nos pegou no caminho, bem, vocês já devem estar sentindo o drama.

Como se isso não bastasse, alguns minutos depois de termos deixado a cidade, nos deparamos com um carro parado literalmente no meio da estrada, a qual não comporta dois veículos em paralelo. Não havia nem sinal de pessoa nos arredores e as hipóteses começaram a surgir: “Vamos ter que quebrar um dos vidros para soltarmos o freio de mão e tirar esse carro daqui!”, “Será que dá pra passar pelo mato ou tem uma vala aí?” ou até “Cuidado! Pode ser um assalto!”, essa última seguida de movimentações nervosas de todos tentando esconder seus bem mais valiosos na meia, no sutiã, ou aonde mais coubesse. A segunda opção nos pareceu a mais sensata e, graças ao bom Deus, foi bastante eficiente.

Alguns quilômetros a frente, já no asfalto e recuperados dos sustos e indisposições, todos já haviam relaxado e dormiam, incluam aqui o motorista que só percebeu que havia virado para o lado errado quando já estávamos nos arredores de Três Marias!!! E não, naquela altura ninguém estava querendo um passeio a Três Marias de brinde. Resultado: o horário previsto para chegar em Belo Horizonte era as 21hs, chegamos as 2h da manhã!

Acho que um palavrão expressaria muito bem o que a equipe estava sentindo ao desembarcar na porta do Atelier da FUMEC mas, mamãe e papai me ensinaram que palavrão é feio, então vocês sintam-se a vontade para preencher os asteriscos que se seguem com a palavra que lhes for mais conveniente: **************!!

Esta volta foi tão intensa, que mal tivemos tempo ou paciência para apreciar a vista com a qual aquela bendita estrada de terra, onde o drama começou, nos presenteava a cada centímetro. Do pouco que vi, não consigo nem descrever. Foi algo que eu nunca havia presenciado como paredões e mais paredões de pedras com dezenas de quedas d’água fininhas, quase um vapor, riachos e mais riachos e sem falar na “paisagem lunar”, típica do cerrado mineiro, com todas aquelas pedras e plantas esquisitonas.

Mas o que tem Capivari a ver com isso tudo mesmo? A relação é bem mais simples do que vocês podem imaginar.

Chegamos em Capivari a noite, como eu disse em meu último post, e por este motivo não deu para conhecer muito bem o que havia por ali. No outro dia bem cedo, nem passeamos pela cidade e já fomos fazer uma trilha para conhecer a Cachoeira do Tempo Perdido e a matéria-prima do artesanato local, as sempre-vivas. Na olhada rápida que dei antes de pegar a estrada até a trilha, achei Capivari bonita e simples, uma calmaria só mas, eu ainda não tinha tido contato com a essência de Capivari, as pessoas. Isso só foi acontecer mais tarde, na reunião que tivemos com os adultos no que virá a ser o Grupo Escolar.

Durante aqueles momentos de discussão varreram-se da minha cabeça todas as imagens das belezas naturais da região. A cidade está presa em conflitos de interesse e as brigas de ego fazem qualquer estrada esburacada parecer suave. Se alguém tem algum conhecimento, não partilha com os outros e se aparece uma oportunidade para um pequeno grupo o restante não move um dedo para ajudar que isso se concretize. E há ainda o fato de que os Capivarenses esperam que a ajuda caia no colo deles e querem conquistar tudo sem fazer esforço. Lá é cada um por si e o Nosso Senhor da Boa Vida por todos.

Todos saíram muito desanimados dessa reunião, pensando se realmente seria possível implantar um projeto da natureza do que estamos desenvolvendo no local. Mas é aquela estória, um lugar como Capivari, minúsculo e parado no tempo, algo tão diferente para nós, sempre reserva uma surpresa.

E foi quando Capivari nos deu um tapa na cara e mostrou o caminho lindo que poderíamos ter pela frente. A peça de teatro do grupo “Quatro Gerações” nos divertiu e surpreendeu. Com certeza todos nós fomos dormir com imagens conflitantes na nossa cabeça. Mas foi de manhã, quando fomos tirar medida dos participantes do teatro e da Coroação de Nossa Senhora Aparecida que, eu pelo menos, tive certeza de que aquele lugarzinho merecia todo o trabalho que estamos tendo hoje. E isso ocorreu depois de ver uma imagem como essa:


Essas crianças, nossos anjinhos, são como as quedas d’água no paredão de pedra, bem fininhas, quase um vapor, mas não há massa cinza engolidora de ônibus que consiga enfeiar essa paisagem. E este foi o caminho esburacado que decidimos seguir.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

De volta para o futuro

Este era eu de então...

Zé, quer dizer Zé mesmo, mas Zé! em chinês quer dizer estar presente,



aqui e agora.
Custei a gostar de meu nome.
Quando criança era o mais comum.
Quando cresci, já nem tanto.
Foi quando comecei a gostar de José,
melhor ainda, de José Octavio.

Lembro-me de como eu era contemplativo, passava horas olhando para o horizonte como olha o cachorro acima, imóvel. Eu olhava para as bolinhas de sabão e seus reflexos, para os papagaios que eu empinava sem cerol e era feliz.

Nunca quis trazer para mim o papagaio de ninguém, os que eu mesmo fazia me bastavam.

Quando criança, eu confiava e esperava. Foi assim quando minha família me esqueceu na varanda de um hotel em uma estação de águas no Sul de Minas. Eu sentei em uma cadeira confortável, de reguinhas abauladas de madeira e esperei balançando os pés que não alcançavam o chão.

Eu tinha certeza de que meu pai voltaria para me buscar.

E voltou mesmo.


Lembro-me de como eu sonhava acordado e confiava no futuro enquanto minha mãe recitava orgulhosa, toda cheia de si e de seus Brasís idealizados: "Criança, ama com fé e orgulho a terra em que nasceste. Olha que céu, que mar, que rios e que floresta, a natureza aqui perpetuamente em festa..."


Bem mandado, eu amava.

Inocentemente.

Capivari, em Abril de 2009

Re-encontrei aquele meu olhar em Capivari no olhar deste menino dependurado na janela de sua casa. Olho para ele, me vejo e me sinto criança de novo, mas o olhar hoje desconfia. Desconfia do futuro e do Brasil.

O menino não olha para mim, olha cabisbaixo para o chão do alto do seu cavalete, cavalo, bicicleta, moto, avião, ... no seu mundão, fechado em si mesmo, no mundão que é Capivari.



Capivari é aqui!


Voltei prá casa guardando em mim aquele olhar e que só me abandonou quando re-encontrei a minha rotina.

Domingo passado, dia 4 de julho, resolvi conhecer o novo e segui em direção à Cidade Administrativa que o governo constrói às pressas para marcar presença na história, repetindo JK, usando o mesmo arquiteto para avalizar o seu poder ... credencial para chegar até Brasília.

Eu buscava conhecer os contrastes e por isto fui para o bairro localizado na outra margem da Via Verde que nos leva ao Confins. Será o Benedito? Sim, era o bairro São Benedito de Santa Luzia, cidade limitrofe.

Munido de papel, lápis e de um desejo de fazer correr o risco, como de costume procurei a melhor vista. Desta vez não foi dificil encontrá-la.

Fiquei impressionado. Por mais que eu tenha escutado falar, lido e visto a respeito, a obra me pegou de surpresa. O lugar é belo, amplo e o projeto competente, como sempre. Com relação ao resto, difícil dizer, mas é fácil de imaginar que a pressa, inimiga da perfeição, seguramente deixará marcas negativas no uso e ocupação do complexo.

Eu avisei: sou macaco véio e não é de hoje que desconfio. Meu olhar já não é isento há anos luz.

Em pé abri meu bloco A3 e freneticamente rabisquei e rabisquei. De repente um menino apareceu e perguntou: quer uma cadeira? Estranhei tamanha gentileza. Isto não é normal, não acontece quase nunca em nenhum lugar por onde ando e desenho.

Aceitei e puxei conversa: Gosta de desenhar, perguntei? Gosto - Matheus respondeu - mas não este tipo de desenho. Gosto de desenhar personagens... Perguntei: Quer desenhar? Eu tenho mais papel e lápis, completei. Não, agora não, tenho que ajudar minha mãe. Insisti: Você tem algum desenho prá eu ver? Tenho - ele respondeu e foi "lá dentro" buscar o que tinha feito da obra em frente. É só um detalhe, adiantou. Posso fotografar? Perguntei. Pode. Respondeu.


Desenho do Matheus com o prédio do novo Palácio de Governo na base da folha de seu caderno.

O maior vão livre do mundo, dizem.
Ele voltou para sua casa e seus irmãos começaram a aparecer. Eram quatro homens no total. Imediatamente voltei à minha infância ao ver o seu irmão mais novo, Ruan? Era eu de novo com a melhor cara do mundo, a cara de quem confia e é feliz.

Os outros três, Matheus, João Vitor e Luiz Felipe, eram como se fossem meus irmãos mais velhos, Francisco, Roberto e Antonio, em ordem decrescente.

Quando eu tinha a idade do Ruan, minha única irmã Maria ainda não havia nascido... A filha tão esperada - parece que minha mãe ficou grávida dela desde o dia em que conheceu meu pai - chegou quando eu tinha três anos e carregou para si toda atenção além de laços enormes na cabeça.

Com o trono ameaçado, enfiei o pé na bacia com água fervente - naquele tempo eu tomava banho numa bacia de alumínio ENORME - e consegui chamar a atenção que queria. Doeu muito, fui parar no hospital e guardei a cicatriz sob a meia por muito tempo. Melhor mudar de estratégia. Pensei.


Meu reino, ruiu. Passei a ter pena de mim.

Como eu sempre fui um menino bonzinho e sonhador não foi difícil fingir calma e construir outro, paralelo, só meu. Bonzinho sempre não é bem o caso, passei a usar máscara de menino bom que por pouco não ficou impregnada para sempre em minha persona.

No meu mundo novo me refugiei e do alto de minha significância comecei a olhar desconfiado e dissimulado, comecei a prestar atenção nos outros, a fazer comparações e elucubrações. O confronto dos dois mundos foi , foi quando passei a sentir na pele os pecados da carne e do espírito.

O primeiro deles e talvez por isto o maior e mais traumático, foi o de ter que ir para a escola dia após dia, pela vida toda = o infinito. Depois outros vieram desde então em ritmo cada vez mais frenético, por todos os meios, com fins lucrativos, obscuros, diversos e, por vezes, divertidos.

Os mais recentes chegam do Senado, das Câmaras federais e municipais, das Assembléias dos deuses e dos homens...



Matheus e Ruan, na porta de sua casa.
PerceOlhem bem a limpeza do quintal, as paredes pintadas... coisa, digo, casa rara hoje em dia.
Um verdadeiro lar, doce lar.

Penso, logo existo e, enquanto penso desenho!

E continuei a desenhar o futuro que estava diante de meus olhos emendando folhas e a fotografar aqueles meninos sem tirar o olho do que ficou em Capivari. Enquanto o de lá mira o vazio, os daqui miram a obra faraônica que brota na frente de sua casa, que irá expulsá-los de seu mundo composto pelo lar muito bem arrumado, quintal com uma mangueira frondosa e um clima de harmonia e de felicidade percebidos a olho nu. Um mundo que lembra os quintais da antiga Belo Horizonte onde, crianças, vivíamos soltos, sem medo.

Quer café? Matheus perguntou.

Quero. Respondi e tomei um café com muito açúcar e muito afeto.



Esta é a montagem do desenho da nova Cidade Administrativa que fiz a olho nu futuro.

Para se ter uma idéia da dimensão da obra e da distância de tudo, a pequena mancha que se vê à esquerda é o centro de Belo Horizonte, uma massa edificada muito densa.

Mais ao fundo, a Serra do Curral, seu símbolo maior e natural.


Esta é a massa edificada do centro de BH, a da esquerda.
A resolução dos desenhos não é boa de propósito. É uma proteção contra um pecado capital do mundo digital: a pirataria.



Este é o Ruan de hoje.
O desenho foi feito tendo sua foto como referência.
O menino de Capivari e os daqui me levaram para o passado e me trouxeram a esperança de poder resgatar o olhar puro e a felicidade que perdi na trajetória de minha vida.

Eles me trouxeram de volta para o futuro.


É como se eu tivesse subido até o topo do Pico do Itambé carregando muito peso, dando voltas em torno de mim mesmo e começasse agora a descer, mais leve, consciente do caminho que devo tomar, sob este céu azul, este clima perfeito e o sol preguiçoso deste mês de férias. Tempo de empinar papagaio, de fazer bolinhas de sabão e de ser feliz.

Desta vez para sempre.




Peço a sua benção, Ruan!
Que Nosso Senhor da Vida Boa lhe proteja.

Dia agnóstico... ou, flores para o povo

Capivari é aqui e agora, de novo.
OLHAI AS SEMPRE VIVAS NO CAMPO
Flor de um bouquê


Dia 6 de julho foi a data inicial dos trabalhos em ateliê das equipes de Capivari, a deste “Faltam - -0- - dias para o amanhã” e a do grupo do teatro "Quatro Gerações". Antes disto muito já havia sido feito: reuniões preliminares, viagens à Capivari, relatórios, reuniões rotineiras, diagnósticos, pesquisas, estudos, croquis, discriminação e orçamento de materiais... agora aguardamos a compra e doação. Enquanto os tecidos não vem, modelamos.


No caso deste - -0- -, Thatyane e Nayara participaram no mês de maio de oficina de confecção de coroa de flores para anjos na Cidade Ouro Preto onde foi desenvolvida um diadema com aplicação de flores de tecido compostas com sutileza e delicadeza com flores naturais, as Sempre Vivas, naturais de Capivari e da região de Diamantina, conhecida internacionalmente . Talvez por isto, ameaçada de extinção. É o maior ícone da região.

De lá prá cá, iniciou-se uma produção de flores comandada por Thatyane sem precedentes na história da humanidade. O objetivo é criar os adornos para os diademas e as asas dos 12 anjos que protagonizam a festa de Coroação de Nossa senhora Aparecida, em Capivari. Para alcançarmos este objetivo, Nayara e alunos voluntários MMMM – Mariana/Marcela/Maria Rita/Manoel - se juntaram ao mutirão e puseram mãos à obra.

Primeiros resultados: Seis diademas, os outros seis também já estão prontos

Diademas em linha e o sol de inverno no ateliê

A proposta original do projeto previa a imersão na e a participação da comunidade neste estágio, no entanto muitas foram as dificuldades para acomodação e alimentação de nosso grupo no distrito já que a informalidade não nos possibilita comprovar despesas tal como exigido em projetos patrocinados com recursos de terceiros, no caso, da Universidade. Este fator é extremamente limitador, deve ser analisado com carinho pela associação de moradores do distrito e para ele buscar uma solução.

Manoel, Mariana, Thatyane e Nayara circundam Éder que vai nos ajudar na estamparia dos tecidos. A pose é espontânea... NAs mãos de Thatyane, os primeiros ensaios para construção das asas.

A dificuldade de comunicação com Capivari é enorme. Lá não existe telefonia fixa, o celular funciona quando quer a não ser que se suba no alto do Pico Itambé - veja na 1ª foto... - não existe Internet e o correio demora mais do que o usual para chegar ao(s) destinatários porque as cartas são entregues ou postadas em Milho Verde ou São Gonçalo do Rio das Pedras. Tudo isto nos inviabiliza programar idas e vindas.

Manoel incorporando um anjo? As asas ainda não estão prontas.

A Associação de Mulheres "Sempre Vivas Sempre", de Capivari, além do belo nome não tem espaço suficiente para atuar porque cedeu suas instalações para o grupo escolar até que sua obra seja finalizada e entregue à comunidade, ou seja, não existe espaço adequado para trabalhar e armazenar trabalhos e tecidos finos, delicados.

A mão de obra local ainda é precária e este projeto não tem como patrocinar a ida de um grupo, como o “Mulheres de Fibra”, de Ouro Preto que já se dispôs a ir até Capivari para ensinar a população local a trabalhar artesanato com produtos de sua região. Não temos como bancar os custos de transporte, acomodação e alimentação correspondentes o que só seria viável se projetos maiores fossem desenvolvidos e aprovados pelo “Universidade Solidária”, do Banco Real – Capivari está fora do raio de 150 km de atuação da FUMEC – pela Caixa Cultural ou Lei de Incentivo Estadual/Federal. Seria necessário que a comunidade estivesse muito mais organizada em todos os sentidos para atuar como promotora e, inclusive, ter condições mais adequadas de comunicação.

Bonita a flor, pensava eu.

Voltando ao Flores para o Povo...

Ela vai de vento em pôpa como pode ser constatado pelas fotos.


O gesto e o trabalho dos alunos são simbólicos, delicados, amorosos e a garra profissional. O objetivo maior é procurar fazer com que Capivari valorize suas tradições e seus potenciais e que desenvolva cada vez mais a consciência de que podem e devem explorá-los adequadamente, criando uma identidade e um diferencial que eleve a sua auto-estima e crie condições de se autosustentar.

O primeiro passo, na nossa opinião, é procurar desenvolver a consciência de que não se deve mais esperar acomodado pelas coisas que chegam prontas e bem acabadas, por isto "Faltam --0-- dias para o amanhã"; desenvolver a consciência de que se deve receber os visitantes e tratá-los de maneira que faça com que eles levem consigo na bagagem o desejo de voltar; a consciência de que é preciso querer aprender a fazer e correr atrás, querer conquistar e não mais se fazer de vítima; a consciência de que é possível começar copiando sim, cuidando no entanto para que a produção de seus produtos tenham a cara de Capivari.

É preciso ter a consciência, por exemplo, de que uma “Bola Ecológica” revestida com flores da região, não pode ter o seu miolo de isopor... Simples assim.

Mariana que, além de trabalhar já doou isto e aquilo para o projeto.

A maior preocupação deste - -o- - após a entrega de toda esta produção, assim como a do grupo de teatro, é a necessidade de conscientizar os protagonistas dos dois projetos de que é necessário cuidar bem do presente, inclusive destes que receberão; que é necessário acomodá-los e guardá-los bem para os próximos anos e próximas gerações com o mesmo carinho com que ambos estão sendo produzidos; é fundamental que reconheçam que as peças dos figurinos não pertencerão aos protagonistas da festa e do teatro, mas que serão patrimônios materiais da comunidade que, aliados aos imateriais, criará o diferencial necessário para atrair a todos nós e o verdadeiro progresso, ambos necessários para se construir o presente e o futuro de Capivari e o de seu povo.

Esperamos que, depois dos apoios importantes que a comunidade já recebeu e de tanta participação em cursos e tantos diplomas - dependurados com orgulho nas paredes das casas - os líderes de Capivari se organizem para conquistar cada vez mais a condição de autosustentabilidade que tanto almejam, com muito mais apoio, mas por seus próprios méritos.

As bolsas disto e daquilo outro distribuídas a rôdo por este país afora, criou uma cultura do esperar sentado e reclamar.
Esperamos que isto não aconteça em Capivari.
Diplomas dependurados não bastam. São estes e outros os tantos mandamentos para que a Recherche du temps perdu possa efetivamente trazer resultados positivos para Capivari.

Que seu padroeiro, Bom Jesus da Boa Vida, faça com que seu povo compreenda que "boa vida" não quer dizer que se deve esperar sentado e ganhar tudo de mão beijada.
A mão, digo, amém!






quarta-feira, 8 de julho de 2009

La recherche du temps perdu

Capivari está ilhada no mundo, físico e digital. Esta é a sua salvação e o seu calvário. O distrito do município do Serro está no caminho Real, mas fora do seu eixo, à margem da estrada Diamantina/Serro/Conceição do Mato Dentro/BH.


Poucas pessoas chegam até lá, algumas vindas pelo turismo solitário, de passagem, outras solidárias, com vontade de ficar e ajudar. A estrutura é ainda muito pobre e precária, portanto há de se ter paciência porque, por maior que seja a vontade do povo e o número de cursos, palestras e o que mais for que já lhe tenha sido oferecido para dinamizar o aprendizado de receber bem e com qualidade os visitantes, na prática pouco foi incorporado e alguns problemas podem comprometer o sonho de se viver do turismo com dignidade.

Com certeza, o potencial é imenso e a alternativa muito válida e viável, mas a disponibilidade de dinheiro, muito pouca. Não existe milagre que, da noite para o dia, transforme positivamente o cotidiano daquelas pessoas que perderam o seu referencial e o principal ganha pão com a proibição da extração de diamantes, mesmo que reconheçam que seus veios já estivessem praticamente esgotados.

A natureza é sublime e a arquitetura simples do local ainda não compromete o casario do vilarejo, mas o risco é eminente. Na expectativa de receber gente de fora, os tradicionais puxados mineiros, que pasteurizam as cidades do estado, ameaçam despontar. As esperas de ferro apontam para um futuro próximo...

A proposta deste "Faltam --0-- dias para o amanhã", ou simplesmente --0--, é sutil, tranqüila. É uma maneira de chegarmos até a comunidade sem criar grandes expectativas, mas certamente é muito positiva porque permitirá através da moda, como se verá nas publicações anteriores, a elevação da auto-estima de sua população com a valorização de uma de suas manifestações mais tradicionais, a festa de Coroação de Nossa Senhora Aparecida.

Valorizando a festa e seus protagonistas, certamente um e outro atrairão o aguardado público que terá muito o que explorar na região. O clima será favorável e acolhedor.

Do pouco que já tive o privilégio de conhecer, destaco e indico um passeio na Cachoeira do Tempo Perdido, cravada no meio do nada, mas já ameaçada pela perspectiva de construção imediata e improvisada de um receptivo para turistas logo à montante e, um pouco mais acima, de um conjunto de casas de campo nas proximidades para gente que vem de fora, com dinheiro.

A cachoeira é linda, especial, acolhedora, com praias de areia fina e branca antes e depois da queda, um espelho d´água, um poço aqui e outro ali, uma ducha revigorante de água pesada pela queda, não tão gelada como se poderia esperar encontrar no meio do mato. Um lugar sagrado.

Espero que o resgate de um tempo considerado perdido pelos habitantes de Capivari permita a conquista dos meios de sobrevivência e sustentabilidade aguardados com expectativa, mas que esses sejam conscientes, ecológicos, respeitosos, lembrando que de Proust e de louco, cada um tem um pouco.

Que Bom Jesus da Boa Vida proteja Capivari e seu povo.

Amém!



Grupo de Teatro Quatro Gerações

Em primeiro plano, Nayara e ao fundo Giulianna, sob suspeita de gripe... As fotos são da Letícia.

Manuela e Virgílio, este se protegendo como pode.

Morgana e Manuela

E Marla, a recém chegada.

Em conjunto com a equipe deste - -0- -, trabalham sob a coordenção de Gabriela Ladeira, coordenadora do curso de design da FUMEC, os alunos voluntários Morgana Marla, Virgílio, Manuela, Letícia, Giulianna e Jefferson, na criação do figurino para o grupo de teatro amador de Capivari, "Quatro Gerações". A eles se juntou na condição de voluntária, a designer de moda Mara Haga recém chegada da Espanha.
Tal como --0--, este grupo desenvolve atualmente os moldes do figurino com a intenção de tê-lo concluído para que o Quatro Gerações o estreie concomitantemente com o figurino da festa de Coroação de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro deste ano.
A festa será completa. O figurino irá permitir que a mesma cresça não só perante os olhos do público, mas principalmente para as pessoas da comunidade, reforçando a sua auto-estima e a consciência de que cada vez mais, se torna necessário buscar em suas próprias raizes a força para a comunidade se auto-sustentar com dignidade.

Coral Nosso senhor da Boa Vida

A festa de Coroação de Nossa Senhora Aparecida conta com a participação do Coral Nosso Senhor da Boa Vida, da igreja de mesmo nome que homenageia o padroeiro de Capivari.


Buscando reforçar a unidade da festa, “Faltam - -0- - dias para o amanhã” além de criar o figurino para todos os seus protagonistas, criou também um ícone para representar o coral, atendendo à demanda da própria comunidade que busca reforçar a sua identidade valorizando suas manifestações culturais mais tradicionais.

A igreja Bom Jesus da Boa Vida

O ícone foi assim desenvolvido a partir do desenho da fachada da igreja, posteriormente transformado digitalmente para criar uma linguagem compatível com a proposta de mudanças de comportamentos e de atitudes que permitam a população do distrito criar condições de fixação na terra, de trabalho e de sustentabilidade consciente, além de, em breve, buscar se inserir digitalmente na comunidade globalizada da qual atualmente está totalmente isolada.

A igreja e o perfil do Pico do Itambé

O desenho da igreja transformado digitalmente

A piedade popular confessa a seu modo a fé em Jesus Cristo clamando-o por diversos nomes, a maioria pesados como Senhor do Bonfim, Jesus Crucificado, Deus Morto, ...; outros menos densos como Senhor dos Passos, Deus e Homem Verdadeiro, Jesus na Hóstia, ...; outros leves como Bom Jesus, Deus-Menino, Rei da Glória, Sagrado Coração, Santo Cristo, Meu Jesus de Nazaré, Filho de Maria, Filho de Deus,...; mas nenhum mais positivo do que o escolhido pela comunidade para ser seu padroeiro: Bom Jesus da Vida Boa.

Afinal, quem não quer uma vida boa? Todos almejamos esta conquista, Capivari também.

Flowers to the people

A criação do figurino para a festa de criação de Nossa Senhora Aparecida, em Capivari, busca reforçar a identidade do distrito explorando ícones de sua flora, suas características físicas e regionais. Conheça o conceito preliminar da identidade visual do projeto que está sendo desenvolvido por Nayara Rodrigues e por Thatyane Mary.
Ícone criado a partir da Sempre Viva conhecida como Botão e do nome deste projeto Faltam --0-- dias para o amanhã

A flor mais conhecida da região é a Sempre Viva com variadas características, sendo que a mais conhecida está ameaçada de extinção. Estes ícones serão aplicados de forma simbólica no look composto pelo vestido, asas e coroa do anjo.

Botões no caminho da Cachoeira do Tempo Perdido


Ícone criado como base para a estampa dos looks dos anjos



Conjunto de ícones. Sobre ele será aplicado o ícone do projeto simbolizando as flores
E posteriomente cores, de acordo com a cartela definida pela equipe.

Oficina de Criação/Faltam --0-- dias para o amanhã



Oficina de Criação/Moda I é uma disciplina do 4º período do curso de design da FUMEC que tem como objetivo estimular o desenvolvimento do processo individual de criação do aluno. É uma das primeiras disciplinas dirigidas exclusivamente aos alunos de design de moda.

A cada semestre, um tema é lançado inspirado em um filme, um livro, uma frase, uma situação de momento. Após as discussões iniciais, cada aluno reflete a respeito, pesquisa e define um sub-tema de seu interesse relacionado ao tema único, para as duas turmas.

Além de seu processo individual que inclue o aprofundamento da pesquisa, o desenvolvimento do conceito de sua criação, de croquis e do Caderno de Processo, é estruturada uma equipe de produção para organizar os eventos do semestres, que culminam sempre com um desfile. Também de acordo com seus interesses, cada um define a função que quer assumir nessa equipe e se responsabiliza pelo contatos internos e externos.

Em tese, esta proposta funciona bem, mas os resultados variam muito de semestre para semestre, ou seja, as equipes funcionam melhor ou pior, mas a experiênncia sempre é válida por permitir a em geral primeira vivência na produção de um evento que envolve problemas de toda ordem, desde a comunicação entre os próprios alunos e professores até as incorporações de mudanças de planos de última hora, o que sempre acontece.

Aproposta da Oficina é dinâmica, não se repete nunca, mas acumula sempre e cada vez mais as experiências dos semestres anteriores que envolvem questões básicas, mas fundamentais de interdisciplinaridade.

Somos tilulares desta disciplina eu, José Octavio e Tereza Leão. Minha formação de especialista em arte educação, artista plástico, gestor cultural e arquiteto me permite atuar como facilitador dos processos individuais, enquanto que Tereza, igualmente artista plástica, especialista com ampla experiência na área de criação de moda e estamparia.

1º Semestre de 2009

A produção do 1º semestre de 2009 dos alunos da Oficina de Criação/Moda I esteve diretamente relacionada com as diretrizes traçadas pela coordenação do curso de design de moda da Universidade FUMEC e com os objetivos deste “Faltam –0—dias para o amanhã” que trabalha o tema Coroação de Nossa Senhora Aparecida, em Capivari, festa sagrada onde o profano se faz presente com as comemorações que se seguem no distrito, com muita música e muita bebida.

Lançado o tema do semestre para os alunos do curso de design de moda da FUMEC, a grande maioria dos alunos resistiu trabalhar o tema abordando somente seus aspectos sagrados, optando por trazê-lo para os dias de hoje e para sua realidade, optando por coroar ícones contemporâneos ou não que se destacam(ram) pela sua importância temporal ou atemporal.



Manuela Gastal trabalhando no atelier a construção do look inspirado nos 50 anos de Barbie


Como proposto, cada aluno fez a sua opção, mas em conjunto foi estabelecido um fio condutor diretamente relacionado, positiva ou negativamente, com a história de suas vidas. O fio condutor escolhido foi a boneca Barbie, oportuno porque neste ano comemora-se no mundo inteiro o seu primeiro cinquentenário. A sua importância para a moda é incontestável, assim como para a formação de gerações de meninas que sonham(ram) em ser como ela e alcançar a glória e o sucesso. Barbie é uma verdadeira revolução.

Como resultado, cada criação sintetiza todos os estágios do processo, individual, original, único, desde as pesquisas desenvolvidas e sistematizadas que evidenciaram a escolha do sub-tema que reflete a preferência individual até a construção do look.


Relações de identidade física, psicológica e/ou sociológica foram estabelecidas com Barbie e associadas a ícones significativos. Como resultado, foi trabalhado um mix de personalidades mundiais, passando por Carmem Miranda, Madonna, Cleópatra, Hebe Camargo, Ana Bolena, Xuxa, santas do “pau-oco” e outras, todas “cheias de graça”.



Este é um trabalho interdisciplinar que já envolveu alunos de outras disciplinas e professores. As fotos pessoais foram produzidas por alunos do curso de fotografia sob a coordenação da aluna Mariane Melo no laboratório da FEA, enquanto o editorial de moda foi realizado na suíte presidencial do Hotel Ouro Minas, gentilmente cedida para este fim, foi produzido pelo professor Alexandre Lopes – Conheça mais: http://www.flickr.com/photos/23446621@N08/

Cara ou Coroa - de Barbie e de louco cada um tem um pouco

A coleção conceitual resultante do trabalho desenvolvido pelos alunos do curso de design de moda da Universidade FUMEC foi objeto de desfile que aconteceu no dia 01 de julho, no Mercado Distrital do Cruzeiro, em Belo Horizonte. Na ocasião foi apresentado um conjunto de 35 looks conceituais que refletiu a diversidade e a complexidade agregadas à boneca e a mitos de nossa civilização.

Na entrada final do desfile, criadores e modelos entraram na passarela portando máscaras cirúrgicas, numa manifestação simbólica referenciada à vaidade ou às máscaras sociais que usamos no nosso dia a dia, ou aos problemas que a sociedade vivencia atualmente em relação à propagação da gripe Suína, que nos tornam mais iguais na fragilidade e nos obrigam a criar novos paradigmas para garantir a preservação da nossa espécie.



Ou terá sido uma homenagem a Michael Jackson que, como Barbie também com 50 anos, morreu prematuramente na véspera do desfile? Ele, que buscou incorporar muito dos padrões estéticos criados e impostos pós Barbie e se transformou fisicamente como nunca havia sido feito por ninguém até então.

E qual a relação entre o figurino da festa de Coroação de Nossa Senhora Aparecida que está sendo criado pelo “Faltam –0—dias para o amanhã” e a coleção criada pelos alunos de design de moda?

O figurino da festa, que busca explorar e valorizar aspectos simbólicos da região, é também conceitual, mas não será objeto de desfile e sim será incorporado à vida da comunidade numa de suas manifestações mais tradicionais, revitalizando-a. Com isto, a moda irá propiciar o aumento da auto-estima da população e contribuirá de forma decisiva para transformações de comportamentos e atitudes, tão necessárias e ansiosamente aguardadas pelos habitantes de Capivari.

Tal como a coroação dos alunos da FUMEC, a coroação da santa também carrega aspectos profanos, representados pela festa que se segue ao ritual, com muita música, dança e bebida.

Aguarde pelos resultados deste projeto de extensão e enquanto isto, conheça, na sequência, uma amostragem dos trabalhos desenvolvidos pelas alunas do curso de design: Maria Cabral Lemos - pour.maria@hotmail.com; Priscila Milagres - priscillamilagres@hotmail.com; Manuela Gastal - mlgastal@terra.com.br; Anna Karla Barbosa - annakarla_pb@yahoo.com.br; Isadora Dawson - isadoradawson@gmail.com; Caroline Teixeira - teixeira.carol@gmail.com; Mariane Melo Castro - mari.melocastro@gmail.com; Priscila Bernardes - pribernardes@gmail.com; Bárbara Capobianco - babibrazil@hotmail.com

Maria Cabral Lemos - Barbie/Eva

Maria Cabral

Foi pensada, desenhada e criada... Com suas curvas revelou sua perfeição!
Era somente uma criação, ninguém esperava que fosse uma explosão...
Do desejo ao pecado! E aí veio a revolução...

Elas são elas... histórias para sempre.

Atravessam a fronteira do tempo e carregam admiradoras, colecionadoras seguidoras da historia.

Pecado ou pecadoras?!
... Ela e a inspiração na tradução da atual mulher
E será sempre um exemplo, vivo de historias e de mulheres passadas
Que como elas foram criadas para serem perfeitas... Arrebatadoras de barreiras, e transformadoras da historia da sua vida.

Por isto Barbie/Eva...



Priscilla Milagres - Boneca do Céu

Proscila Milagres

Nossa Senhora, mãe de todos nós, é coroada há séculos por crianças de todas as idades.

Barbie é festejada há décadas pelas crianças do mundo todo. Com seus 50 anos, ela é a “mãe” de todas as bonecas.

Neste ano o mundo promove em torno dela uma verdadeira festa de coroação.

Barbie: a boneca mais vendida, aquela que as meninas sonham ser quando crescer, a preferida, a mais famosa, a mais bonita...

Nossa Senhora: um exemplo de mulher, pura, linda, correta...

Barbie e Nossa Senhora, imagens perfeitas. ícones que nos influenciam e que merecem nossas referências, deferências, preferências.

Ave Nossa Senhora! Ave Barbie!

Manuela Gastal - Barbie

Manuela

Ela completou 50 anos e está mais linda e jovem do que nunca. Para esta menina-mulher parece que o tempo não passa.

Este ano o mundo inteiro está homenageando-a. Ela a rainha a ser coroada, a diva da moda, uma estrela que nunca deixou de estar em ascensão e sempre deu muito o quê falar.

Não seria este o sonho de toda a mulher? Ser linda e jovem para sempre e de quebra ainda ser famosa, reconhecida mundialmente por sua beleza estonteante e suas atitudes e lifestyle?

Barbie, a boneca que esteve comigo durante toda a minha infância, em minhas brincadeiras e muitas vezes em meus sonhos.

A ela presto minha homenagem.

Anna Karla Barbosa - O poder de uma coroa

Anna Karla

Definir o significado de “coroa” não é fácil, pois essa simples palavra ganhou ao longo dos tempos múltiplos significados. No entanto, sua principal definição nos remete ao ornamento utilizado por diversas civilizações como símbolo de poder, legitimidade, destaque e conquista.

Todas essas características em paralelo à Barbie se encaixam perfeitamente. Ao completar 50 anos, a boneca mais famosa do mundo mostra o quanto é poderosa, ousada, simbólica e dona de conquistas por todo o mundo.

Isadora Dawson - A Abelha-Rainha

Isadora Dawson

A Abelha-Rainha e o que representa na hierarquia de uma colméia. Ela que é mãe de todas as outras abelhas e o único ser fértil de uma colônia.

Assim como a boneca Barbie, que trouxe novos parâmetros para o poder da mulher na sociedade, a abelha-rainha também é símbolo deste poder.

Caroline Rodrigues - Madonna

Caroline Teixeira

Coroar Madonna simboliza coroar a complexidade e a sua capacidade de transformação. As várias personalidades que ela já incorporou a tornaram rainha do pop. Diva da música e da moda.

Em paralelo, Barbie vem para salientar o quesito “multi-personalidades” sem deixar de ter estilo.

As duas, com 50 anos, serão sempre referência para mulheres de todas as idades.