sábado, 20 de junho de 2009

A Vizinha da Minha Infância

Passaram-se seis meses entre a primeira vez em que ouvi falar de Capivari e a concretização da minha vontade de conhecer aquele lugarzinho que se construía em minha mente de diversas maneiras. Minha mente, que faz às vezes de Deus de vez em quando, criando novos mundos, havia criado uma Capivari de personagens com rostos embaçados, pessoas fazendo artesanato nas portas das casas, muito verde e cheiro de terra.

Mesmo após exercitar a minha imaginação por tantos dias, tentando desvendar “qual é que seria a de Capivari”, cheguei ao município sem saber o que esperar. Minha mente, com toda a sua autoridade sobre mim, pôs a Capivari que eu tinha criado a baixo e me disse “é hora de construir algo concreto!”

Ao descer do ônibus, no escuro das 22hs, em uma cidade com pouca iluminação, a primeira impressão que tive de Capivari foi “que frio”! Enquanto eu atravessava o gramado úmido de sereno até a casa que iria me abrigar, reparei na simplicidade das poucas casas que eu via devido à iluminação escassa. Na casa branca das janelas verde bandeira, Maria nos esperava na porta, ao lado do número 36. Acolheu-nos com o calor de seu fogão à lenha e com comida simples, porém, muito boa. Todos comem na mesa da cozinha, a da sala é para enfeite.

O chão é de cimento, o forro do teto é de palha, o cachorro de Genésio e Maria se chama Lobinho, apesar de ser um cachorro. Há muito disso em Capivari, como o Renato cujo nome verdadeiro é Reinaldo, coisas de lá...

O reconhecimento de campo foi feito naquela hora mesmo, com a janta na barriga e casacos nos ombros. Foi quando vi que Capivari tinha apenas duas ruas. O mestre de obras da minha mente neste momento, mandou dizer à poderosa chefona que não seriam necessários placas e nem sinais de trânsito, estes poderiam ficar guardados para quando eu fosse a Nova Iorque.

Passei por uma Igreja sem saber que era Igreja e não fiz o “em nome do pai”. Tenho certeza que Nosso Senhor da Boa Vida me perdoou. Naquela noite, o povo de Capivari estava em um bar, bebendo cerveja e tocando viola.

No outro dia pela manhã, pude ver o que era Capivari afinal. Eu não tinha me enganado tanto. Meus olhos varreram os caminhos de terra, eu senti o calor do Sol e o cheiro da grama, vi a poeira levantando quando algum carro passava, percebi o quão amistosas eram as pessoas, apesar de ressabiadas, notei que a vida ali começa cedo, tomei café com frutas colhidas no quintal...

Foi nesse momento que a minha mente terminou a construção da Capivari dentro de mim, que ainda estava sem habitantes, mas que revelava algo curioso: a minha Capivari foi levantada ao lado da cidade da minha Infância. Esta última tem tios bebendo cerveja e tocando viola, a casa da roça dos meus avós com forro de palha e fogão a lenha, as frutas no quintal dos meus outros avós, a companhia dos primos para andar sobre a grama molhada ou brincar na terra e na poeira, o calorzão de dia e o frio à noite, o “em nome do pai” em frente a Igreja matriz, uma cachorra que não era dinheiro mas chamava Moeda, as reuniões na mesa da cozinha e por aí vai... Foi aí que eu percebi que tinha mais de Capivari em mim do que eu imaginava.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Gema mole, clara dura


Gema mole clara dura, tanto bate até que fura


Choveu muito em janeiro de 2009.

Aproveitei a estiagem no final do mês e encarei a estrada para conhecer Capivari. Liguei para avisar que eu estava chegando, precisava de cama, comida vegetariana e, sobretudo, conhecer o interesse da comunidade por este Faltam –0—dias para o amanhã. Chegando fui parar na casa do Renato, que na verdade se chama Reinaldo, de sua mulher, Franciene e de seus dois filhos bem pequenos, Renatinho e Ramon.

Na hora da primeira refeição, perguntaram se eu queria alguma coisa especial.

Seria possível fritar um ovo? Perguntei.

Percebi que o incômodo foi grande sem entender o motivo. Afinal, qual poderia ser o problema de fritar um ovo? Não descobri a resposta, mas que existia um problema em Capivari com ovo frito isto existia. Esperei.

Confabulações e cumplicidade de olhares até que o marido finalmente resolveu assumir a empreitada colocando meio litro de óleo em uma panela.

Como quer o ovo? Perguntou
Com a gema mole e a clara dura, respondi.

Naquele clima tenso de repente houve uma explosão de gargalhadas. A família, com direito à sogra e todos que estavam ali para me assistir, riam tanto, tanto... e eu ali, um estranho no ninho, sem saber o que fazer, com cara de tacho.

Qual o motivo de tanta graça? Eu insistia.

As gargalhadas se intensificavam e se multiplicavam aparentemente ressonando distrito afora. Eu, meio sem graça, diante de um ovo encharcado e já frio, desisti de querer entender e comi, ou melhor, engoli, tentando imaginar qual poderia ser o motivo para tão pouco siso.
Idéias tantas e outras tantãs passaram pela minha mente mirabolante. Nenhuma me convenceu. Afinal, o que havia de tão engraçado em querer um ovo frito com a gema mole e a clara dura. Alguém pode me dar uma dica? Retribuo com uma omelete.

O que São Bartolomeu tem a ver com a calça, afinal?

Chegar a um pequeno distrito do qual eu apenas ouvira falar e visto uma foto não era uma situação nova. Semelhante vivenciei em maio de 1994 quando, também num repente me encontrei em São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto.
Naquela época eu estava alterando o rumo da minha vida, me afastando da arquitetura para correr o risco no desenho, prestes a me formar na Belas Artes, vinte e dois anos depois de concluir o curso de arquitetura. Esta primeira experiência foi maravilhosa, só que restrita, de mim para comigo mesmo.

Depois de São Bartolomeu o destino me tornou um desenhista viajante, que condição me levou de volta para Paris, desta vez para desenhar. Em 1973, época do meu “se oriente rapaz”, fui prá Londres com lenço e documento, mas acabei ficando lá, em Paname.

Desde São Bartô estou com os pés na estrada, só que desta vez na Real, no Circuito dos Diamantes, onde está cravado o distrito de Capivari esperando o futuro para ser lapidado. Eu já havia estado e desenhado por ali, mas até então nada sabia sobre o lugar que só conheci navegando. Assim, do quase nada, concluí que esta nova experiência poderá ser maravilhosa, só que desta vez coletiva, de mim para com a universidade, para com a equipe, para com a realidade daquela comunidade.

São Bartolomeu me trouxe até a universidade, passando por novos e belos horizontes.
O primeiro passo desta minha trajetória foi a minha primeira exposição que recebeu o nome de “O ovo ou a galinha”- e primeira exposição a gente nunca esquece... e desta vez eu posso explicar:
São Bartolomeu nasceu concomitantemente com Ouro Preto, mas ninguém sabe ao certo qual nasceu primeiro. Quem é ouro-pretano diz que foi Ouro Preto, mas quem nasceu em São Bartolomeu, diz que foi lá.

Como São Bartolomeu, Capivari abrirá novos caminhos para todos nós deste projeto. Espero que para a comunidade, principalmente.
No meu caso já sei o nome que darei para o primeiro fruto que eu colher:
“Gema mole e clara dura”.

Por quê?
Não há mais o que dizer.

Só para acabar de acabar:
Paname quer dizer Paris, na gíria local.
Foi o ovo que nasceu primeiro, a galinha veio depois.
Para mim, pelo menos.
No mais um, dois, feijão com arroz... e ovo frito.

quinta-feira, 18 de junho de 2009


COROAÇÃO

"Mulher revestida de sol e coroada de estrelas"
Embora nenhum texto canônico evoque diretamente a coroação de Maria no Céu, a Igreja sempre reconheceu na "Mulher revestida de sol e coroada de estrelas" do versículo 1, capítulo 12 do Apocalipse, a própria virgem Maria. A Coroação de Maria no Céu é celebrada pela Igreja há séculos, através da meditação do quinto mistério glorioso do santo Rosário. A cerimônia de Coroação de Maria repete a tradição cristã que descreve a chegada da Virgem ao céu, quando esta foi recebida e coroada por Deus Pai, seu Filho Jesus e o Divino Espírito Santo, junto a um sonoro cortejo de Anjos. Sabe-se que a devoção à Virgem surgiu no século XIII, na Europa, onde maio inicia a primavera.
Nas coroações o figurino é essencial sendo uma forma de respeito e adoração á Virgem, criando toda uma atmosfera que envolve a cerimônia. Na maioria das Igrejas a coroação de é feita por meninas vestidas de anjo com asas, coroa e vestidos nas cores branca, azul claro, rosa bebe e amarelo, e depositam na imagem cantando alguns versos e ramalhete com rosas, lírio, palma, coração, véu, terço e coroa.
Leia mais em http://marista.edu.br/saojose/2009/05/26/louvor-a-maria-na-coroacao-do-turno-da-manha/


COROAÇÃO NOSSA SENHORA APARECIDA

O rio Paraíba, que nasce em São Paulo e deságua no litoral fluminense, era limpo e piscoso em 1717, quando os pescadores Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves resgataram a imagem de Nossa Senhora Aparecida de suas águas. Encarregados de garantir o almoço do conde de Assumar, então governador da província de São Paulo que visitava a Vila de Guaratinguetá, eles subiam o rio e lançavam as redes sem muito sucesso próximo ao porto de Itaguaçu, até que recolheram o corpo da imagem. Na segunda tentativa, trouxeram a cabeça e, a partir desse momento, os peixes pareciam brotar ao redor do barco...
Leia mais em http://www.culturabrasil.org/aparecida.htm

COROAÇÃO CAPIVARI

Em Capivari a coroação ocorre no dia 12 de Outubro quando as crianças da cidade coroam a santa na Igreja de Nosso Senhor da Boa Vida.
Esta coroação, plena de rituais, tem início com a chegada da imagem pelo córrego que atravessa o distrito e que na festa simboliza o rio Paraíba. Quatro moradores representando os pescadores retiram da água, puxando um pequeno barco, a imagem que é levada em procissão pelo vilarejo ao som do coral Nosso Senhor da Boa Vida até a pequena igreja do padroeiro de Capivari. Todos os moradores e visitantes da região participam efetivamente da festa protagonizada por um grupo de meninas vestidas de anjos, um índio e uma negra que coroa a santa no altar sob o portal da igreja.
A festa é tradicional na região, mas até 2008 tudo era improvisado. O figurino era tomado sob empréstimo na cidade do Serro, ou composto por roupas de festas de 15 anos alugadas em Diamantina. O altar era formado por estranhos armários que, por falta de espaço, estão dentro da igreja comprometendo a beleza original do espaço.
Nosso projeto, Faltam –0—dias para o amanhã, se propõe a criar o figurino para a festa e uma série de cinco módulos multifuncionais que servirão de altar e de guarda-figurino já que uma de nossas maiores preocupações é permitir que esse figurino seja utilizado e preservado por muito tempo, como pretendemos que a tradição e o próprio distrito também o sejam.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Por que Faltam --0-- dias para o amanhã?


José Octavio, Nayara e Thatyane no atelier de moda da FUMEC



Na universidade, a cada início de semestre letivo as turmas de formandos formam comissões para organizar as festas de conclusão de curso. Na área de convivência, logo no início das aulas, é afixado um novo quadro de contagem regressiva que é atualizado a cada dia para lembrar a todos que o dia D está chegando.

Faltam --0-- dias para o amanhã é um projeto de extensão da Universidade FUMEC que foi inspirado nesses quadros. Ele pretende ser uma colaboração no sentido de demonstrar que a preservação dos aspectos naturais e culturais da comunidade de Capivari, pequeno distrito do município do Serro, não pode esperar mais já que o risco de perda de sua identidade cultural, referências, patrimônio material e imaterial se tornou eminente após a proibição da extração de diamantes na região, concomitante com a implantação do Parque Estadual do Pico do Itambé.

Ações diversas ali estão sendo implantadas por diversas entidades visando criar alternativas de trabalho e sustentabilidade para sua população. Cursos, projetos e programas direcionados para viabilizar o turismo solidário estão sendo desenvolvidos. Como primeiros resultados destacam-se a conscientização da população para a necessidade de sua preservação, a implantação de um Centro Comunitário e de pousadas domiciliares, entre outros.

Faltam --0-- dias para o amanhã é um projeto pontual que tem como objetivo criar em conjunto com a comunidade o figurino para a tradicional Festa de Coroação de Nossa senhora Aparecida que acontece em outubro de cada ano. A equipe deste projeto, composta por mim, Nayara e Thatyane, alunas bolsistas, contará com a colaboração de alunos voluntários para a produção dos diversos looks e acessórios, todos criados a partir da iconografia regional a fim de reforçar a identidade de Capivari. A sua continuidade será função dos resultados desta primeira intervenção.

Este blog estará sempre em formação e nele serão publicados os resultados e imagens do projeto, de Capivari, dos estágios de nosso trabalho, das crianças que fazem a festa ...

Com todo o respeito, divulguem, participem e conheçam Capivari. A natureza e a comunidade agradecem.


José Octavio Cavalcanti
Professor Coordenador

Como Chegar em Capivari

O carro é melhor opção para se chegar em Capivari.

Partindo de BH segue-se em direção à Brasilia até o trevo de Curvelo, depois em direção à Diamantina e mais à frente em direção ao Serro. Até aí as estradas são asfaltadas e razoavelmente bem sinalizadas, com trechos em obra o que atrasa a viagem nos horários de pico.
Antes de chegar em Serro, deve-se ficar atento porque fica em uma curva a estrada de terra que nos leva a Milho Verde na qual se segue até o entroncamento para Capivari.

No total, o tempo de viagem é de aproximadamente 6 horas com tempo bom. Durante as chuvas a estrada não oferece grandes riscos, mas requer muito cuidado por causa dos buracos nem sempre aparentes, mas sempre presentes.

A outra opção é via ônibus até o Serro e depois outro até Capivari. O problema é a conciliação de horários já que nem sempre é possível pegar o segundo logo depois do primeiro o que pode resultar na necessidade de se pernoitar em Serro. Nada mal, nada mal.

Outra vantagem de viajar de carro e com tempo, é explorar a região que é muito bela. Aproveite a oportunidade para seguir viagem até Diamantina, passando por São Gonçalo do Rio das Pedras; ou para Milho Verde, Conceição do Mato Dentro e BH. Neste caso, evite os períodos chuvosos porque a estrada é ruim com força... principalmente entre Milho Verde e Conceição.

domingo, 14 de junho de 2009

Com vocês: os nossos protagonistas!

A festa da Coroação de Nossa Senhora Aparecida de Capivari, que é o foco de nosso projeto, acontece no dia 12 de outubro e é um pouco diferente da coroação de Nossa Senhora de Fátima, com a qual estamos mais acostumados. Os personagens da celebração, explicada pela Thatyane em sua última publicação, são os anjos, um índio, uma negra e quatro pescadores, além das ministras, apresentadores, coral e organização.

Quando fomos a Capivari em Abril, tiramos fotos individuais desse povo todo, cada um com a sua singularidade, em frente à Igreja de Nosso Senhor da Boa Vida, onde acontece parte da festa e cenário de diversos outros acontecimentos na cidade.

Por estas fotos, é possível conhecer o biotipo de Capivari mais de perto e se olharmos com atenção, cada foto conta muito da pessoa fotografada. É clichê dizer que estas fotos estão carregadas de histórias uma vez que, cada habitante de Capivari carrega nos olhos histórias e lendas de uma vida simples mas feliz.

Então, com vocês, os nossos protagonistas:


Nathan, o Índio





Laiane, a negra:



Tatiele, anjo:



Tais, anjo:



Roseane, anjo:




Robervânia, anjo:




Pâmela, anjo:




Mirielle, anjo:




Indiamara, anjo:



Eva, anjo:



Dalila, anjo:



Beatriz, anjo:



Arlene, anjo:




Aline, anjo:



Antonio, pescador e apresentador:



Reinaldo, apresentador:



Sr. Pedro, pescador:



Ismael, pescador:



Graziele, apresentadora:



Noele, apresentadora:




Márcia, ministra:



Nanci, ministra:



Noeme, organização:


sábado, 13 de junho de 2009

D. Anita e Ramon, duas gerações foco deste nosso projeto.
D. Anita mora no caminho da Cachoeira do Tempo Perdido, fuma um cachimbo de pedra, gosta de uma conversa e vive da venda de flores silvestres.
Ramon mora com seus pais e um irmão. A casa da família é uma das pousadas domiciliares em funcionamento.

Há muito o que aprender em termos de turismo solidário pelos moradores de Capivari, mas este é seguramente um dos caminhos viáveis para a sustentabilidade do distrito onde ainda não existe mercado formal. As refeições são fornecidas pelas próprias famílias, são muito simples e ainda não exploram o potencial e a tradição culinária da região. Esta será uma conquista necessária a curto prazo...

Coroação


Roseane e Robervânia são irmãs e fazem parte do grupo de coroação. Elas participam de tudo e são extremamente comunicativas além de bonitas como pode se ver. Com elas, participarão: Aline, Taís, Beatriz, Eva, Miriele, Indiamara, Pâmela, Dalila, Taciele, Arlena, Laiane e Nathan, que fará o papel de índio. Ele canta que é um barato.
Noeme é a organizadora da festa. Antonio, Noeli e Graziele são os apresentadores enquanto Antonio, Reinaldo, Ismael e o sr. Pedro representam os pescadores que encontram a imagem de Nossa Senhora Aparecida no rio. Nanci e Márcia são as ministras.
A festa ganha maior brilho com a participação do coral da Igreja de Nosso Senhor da Boa Vida, padroeiro de Capivari.
A festa acontece em 12 de outubro. Apareça!

Capivari

Capivari é assim, pequeno distrito localizado em em lugar muito aberto de onde se tem a vista mais bela do Pico do Itambé.

Seguindo em direção à esquerda quando se avista o aglomerado e sempre descendo por uma trilha toda cheia de flores - que não devem ser colhidas - encontramos a maravilhosa Cachoeira do Tempo Perdido. O nome é tão bonito e poético como a própria cachoeira.

Algumas ameaças à vista:
A primeira é a intenção de um grupo de construir não sei quantos chalés em um belo vale existente no início da trilha no pé do Pico do Itambé na vertente de Capivari.
A segunda é a intenção de se construir um receptivo para venda de cerveja, água e sabe-se lá mais o que, bem próximo da cachoeira. Lixo e poluição à vista ou a perder de vista.

Capivari está escondida no mapa, o que é bom e é ruim.
Bom porque o aglomerado está preservado. Lá já encontramos alguns"puxados", mas não os que que atualmente pasteurizam as cidades mineiras, com aqueles telhados de amianto soltos sobre a laje que só servem para secar roupas e proteger o acesso às antenas parabólicas; e nem aquelas esperas no topo dos pilares que indicam que as familias e as casas no futuro irão crescer. A falta de rebôco, acabamento e de zêlo é triste de se verpor Minas à fora. Em Capivari, ainda não. Nosso senhor da Boa Vida que o proteja!
Ruim porque a população do distrito está ilhada, sem perspectivas de trabalho e de futuro o que gera êxodo, ócio e os problemas deles resultantes.

Faltam --0-- dias para o amanhã para garantir a preservação de tudo o que em Capivari se avista e se vivencia.