quarta-feira, 8 de julho de 2009

La recherche du temps perdu

Capivari está ilhada no mundo, físico e digital. Esta é a sua salvação e o seu calvário. O distrito do município do Serro está no caminho Real, mas fora do seu eixo, à margem da estrada Diamantina/Serro/Conceição do Mato Dentro/BH.


Poucas pessoas chegam até lá, algumas vindas pelo turismo solitário, de passagem, outras solidárias, com vontade de ficar e ajudar. A estrutura é ainda muito pobre e precária, portanto há de se ter paciência porque, por maior que seja a vontade do povo e o número de cursos, palestras e o que mais for que já lhe tenha sido oferecido para dinamizar o aprendizado de receber bem e com qualidade os visitantes, na prática pouco foi incorporado e alguns problemas podem comprometer o sonho de se viver do turismo com dignidade.

Com certeza, o potencial é imenso e a alternativa muito válida e viável, mas a disponibilidade de dinheiro, muito pouca. Não existe milagre que, da noite para o dia, transforme positivamente o cotidiano daquelas pessoas que perderam o seu referencial e o principal ganha pão com a proibição da extração de diamantes, mesmo que reconheçam que seus veios já estivessem praticamente esgotados.

A natureza é sublime e a arquitetura simples do local ainda não compromete o casario do vilarejo, mas o risco é eminente. Na expectativa de receber gente de fora, os tradicionais puxados mineiros, que pasteurizam as cidades do estado, ameaçam despontar. As esperas de ferro apontam para um futuro próximo...

A proposta deste "Faltam --0-- dias para o amanhã", ou simplesmente --0--, é sutil, tranqüila. É uma maneira de chegarmos até a comunidade sem criar grandes expectativas, mas certamente é muito positiva porque permitirá através da moda, como se verá nas publicações anteriores, a elevação da auto-estima de sua população com a valorização de uma de suas manifestações mais tradicionais, a festa de Coroação de Nossa Senhora Aparecida.

Valorizando a festa e seus protagonistas, certamente um e outro atrairão o aguardado público que terá muito o que explorar na região. O clima será favorável e acolhedor.

Do pouco que já tive o privilégio de conhecer, destaco e indico um passeio na Cachoeira do Tempo Perdido, cravada no meio do nada, mas já ameaçada pela perspectiva de construção imediata e improvisada de um receptivo para turistas logo à montante e, um pouco mais acima, de um conjunto de casas de campo nas proximidades para gente que vem de fora, com dinheiro.

A cachoeira é linda, especial, acolhedora, com praias de areia fina e branca antes e depois da queda, um espelho d´água, um poço aqui e outro ali, uma ducha revigorante de água pesada pela queda, não tão gelada como se poderia esperar encontrar no meio do mato. Um lugar sagrado.

Espero que o resgate de um tempo considerado perdido pelos habitantes de Capivari permita a conquista dos meios de sobrevivência e sustentabilidade aguardados com expectativa, mas que esses sejam conscientes, ecológicos, respeitosos, lembrando que de Proust e de louco, cada um tem um pouco.

Que Bom Jesus da Boa Vida proteja Capivari e seu povo.

Amém!



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