O tempo pode até estar ruim, mas o caminho é maravilhoso!
Achei esta foto a cara de Capivari! Calma! Não se espantem! Eu explico...
Tirei esta foto no retorno de Capivari a Belo Horizonte. Uma jornada digna dos mais aventureiros, vide a massa cinza que ameaçava engolir nosso pequeno ônibus sem o menor esforço.
Virgílio, Morgana, Jefferson e Letícia estavam passando mal, para começo de conversa. O restante de nós estava no mínimo cansado, depois da maratona que foi a nossa visita à Capivari. A estrada de terra, bastante acidentada, não estava sendo muito generosa na contenção de solavancos e unida a essa humilde chuva que nos pegou no caminho, bem, vocês já devem estar sentindo o drama.
Como se isso não bastasse, alguns minutos depois de termos deixado a cidade, nos deparamos com um carro parado literalmente no meio da estrada, a qual não comporta dois veículos em paralelo. Não havia nem sinal de pessoa nos arredores e as hipóteses começaram a surgir: “Vamos ter que quebrar um dos vidros para soltarmos o freio de mão e tirar esse carro daqui!”, “Será que dá pra passar pelo mato ou tem uma vala aí?” ou até “Cuidado! Pode ser um assalto!”, essa última seguida de movimentações nervosas de todos tentando esconder seus bem mais valiosos na meia, no sutiã, ou aonde mais coubesse. A segunda opção nos pareceu a mais sensata e, graças ao bom Deus, foi bastante eficiente.
Alguns quilômetros a frente, já no asfalto e recuperados dos sustos e indisposições, todos já haviam relaxado e dormiam, incluam aqui o motorista que só percebeu que havia virado para o lado errado quando já estávamos nos arredores de Três Marias!!! E não, naquela altura ninguém estava querendo um passeio a Três Marias de brinde. Resultado: o horário previsto para chegar em Belo Horizonte era as 21hs, chegamos as 2h da manhã!
Acho que um palavrão expressaria muito bem o que a equipe estava sentindo ao desembarcar na porta do Atelier da FUMEC mas, mamãe e papai me ensinaram que palavrão é feio, então vocês sintam-se a vontade para preencher os asteriscos que se seguem com a palavra que lhes for mais conveniente: **************!!
Esta volta foi tão intensa, que mal tivemos tempo ou paciência para apreciar a vista com a qual aquela bendita estrada de terra, onde o drama começou, nos presenteava a cada centímetro. Do pouco que vi, não consigo nem descrever. Foi algo que eu nunca havia presenciado como paredões e mais paredões de pedras com dezenas de quedas d’água fininhas, quase um vapor, riachos e mais riachos e sem falar na “paisagem lunar”, típica do cerrado mineiro, com todas aquelas pedras e plantas esquisitonas.
Mas o que tem Capivari a ver com isso tudo mesmo? A relação é bem mais simples do que vocês podem imaginar.
Chegamos em Capivari a noite, como eu disse em meu último post, e por este motivo não deu para conhecer muito bem o que havia por ali. No outro dia bem cedo, nem passeamos pela cidade e já fomos fazer uma trilha para conhecer a Cachoeira do Tempo Perdido e a matéria-prima do artesanato local, as sempre-vivas. Na olhada rápida que dei antes de pegar a estrada até a trilha, achei Capivari bonita e simples, uma calmaria só mas, eu ainda não tinha tido contato com a essência de Capivari, as pessoas. Isso só foi acontecer mais tarde, na reunião que tivemos com os adultos no que virá a ser o Grupo Escolar.
Durante aqueles momentos de discussão varreram-se da minha cabeça todas as imagens das belezas naturais da região. A cidade está presa em conflitos de interesse e as brigas de ego fazem qualquer estrada esburacada parecer suave. Se alguém tem algum conhecimento, não partilha com os outros e se aparece uma oportunidade para um pequeno grupo o restante não move um dedo para ajudar que isso se concretize. E há ainda o fato de que os Capivarenses esperam que a ajuda caia no colo deles e querem conquistar tudo sem fazer esforço. Lá é cada um por si e o Nosso Senhor da Boa Vida por todos.
Todos saíram muito desanimados dessa reunião, pensando se realmente seria possível implantar um projeto da natureza do que estamos desenvolvendo no local. Mas é aquela estória, um lugar como Capivari, minúsculo e parado no tempo, algo tão diferente para nós, sempre reserva uma surpresa.
E foi quando Capivari nos deu um tapa na cara e mostrou o caminho lindo que poderíamos ter pela frente. A peça de teatro do grupo “Quatro Gerações” nos divertiu e surpreendeu. Com certeza todos nós fomos dormir com imagens conflitantes na nossa cabeça. Mas foi de manhã, quando fomos tirar medida dos participantes do teatro e da Coroação de Nossa Senhora Aparecida que, eu pelo menos, tive certeza de que aquele lugarzinho merecia todo o trabalho que estamos tendo hoje. E isso ocorreu depois de ver uma imagem como essa:
Essas crianças, nossos anjinhos, são como as quedas d’água no paredão de pedra, bem fininhas, quase um vapor, mas não há massa cinza engolidora de ônibus que consiga enfeiar essa paisagem. E este foi o caminho esburacado que decidimos seguir.
3 comentários:
Ridícula a maneira como esta pessoa descreve a comunidade que os acolheu. Com este blog, conseguiu dar uma amostra de anti-profissionalismo, incapacidade de compreensão das complexas dinâmicas sociais de uma comunidade, incapacidade de conhecer uma realidade diferente,e ainda mais de prestar qualquer contribuição acadêmica, ou de qualquer nível. Sem ainda comentar sobre a falta de compromisso do grupo em relação à comunidade (uma comunidade como esta acredita na palavra das pessoas, e conta com ela).
Sinceramente, ainda estou tentando entender como um professor permite uma publicação como esta em nome de uma "universidade".
Antes de visitar uma comunidade como esta e, principalmente antes de se propôr uma atividade interventora, estes alunos deviam ser melhor preparados, já que identificar/presenciar conflitos numa comunidade representa um choque tão grande para tal aluna. Pois Nayara, não se espante, na sua comunidade (seja sua cidade, seu bairro, seus amigos, ou outros) há conflitos também, talvés até mais graves e difíceis de serem solucinados que estes. Busque conhecê-los melhor e verá que isso engrandece a relação social, cria laços mais fortes e, melhor que a indiferença, isso não torna essas pessoas parte de uma massa cinzenta engolidora.
Leticia e Fernanda, obrigado pelos comentários que dão maior sentido a este blog que, no entanto, é apenas um blog e não a palavra de uma universidade que viabilizou o desenvolvimento deste projeto acreditando no nosso compromisso de trabalhar da maneira a mais profissional possível e com autonomia necessária.
Como qualquer blog, este permite a publicação de toda sorte de materiais e comentários. No caso, Nayara descreveu com toda a liberdade, inclusive poética, suas impressões sobre a comunidade.
Como professor que trabalha processos de criação, como profissional e como cidadão, jamais restringiria a publicação deste ou de qualquer outro material produzido pelas alunas, que foram por mim selecionadas pela qualidade do trabalho que desenvolvem no curso de graduação de design de moda.
Desculpem-me, mas eu jamais censuraria quaisquer que fossem suas manifestações principalmente por não acreditar que existe uma verdade absoluta em nenhuma circunstância que deva orientar um trabalho na área de criação. As impressões aqui publicadas, todas sujeitas a criticas acadêmicas ou não, são de responsabilidade de quem as assinou e foram a base para o desenvolvimento deste projeto, cujos primeiros resultados concretos podem ser acompanhados consultando-se as demais publicações.
É importante que se saiba que o grupo de teatro estava prestes a se dissolver como nos foi colocado na citada reunião e quando da entrega do figurino do teatro, no dia 3 de outubro. Esta situação só não se efetivou pelo impulso que foi dado pela proposta se construir um figurino que valorizasse e preservasse uma de suas tradições mais originais que tivemos o grande prazer de assistir. O resultado, na prática, dependerá naturalmente de como a comunidade se apropriará dos figurinos que lhe foram oferecidos. Em parte isto já aconteceu na festa do último dia 12, mas no dia 18 próximo, quando o grupo escolar será inaugurado, o Quatro Gerações vestirá suas roupas novas para se apresentar para o prefeito e visitantes. Daqui, de longe, torcemos para que o nosso trabalho possa contribuir para minimizar diferenças, favorecer a preservação das tradições e o desenvolvimento do turismo, que é a grande esperança para a sustentabilidade de Capivar.
É claro que a comunidade está aberta a receber novos projetos, propostos talvez por profissionais mais habilitados do que o nosso grupo que o fez em caráter experimental e sinceramente torço para que isto aconteça efetivamente, não apenas no desejo ou na intenção.
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